Lendas e Curiosidades

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A PONTE DE ÓRBIGO - "PASO HONROSO"
Entre os pueblos de Puente de Órbigo e Hospital de Órbigo, sobre o rio Órbigo, existe a “Puente de Orbigo”. É uma das mais famosas ponte do Caminho tanto por sua qualidade arquitetônica, como pela sua história, foi um local onde aconteceram várias batalhas entre os suevos e visigódos (452), passando pelo enfrentamento das tropas cordobesas com as de Afonso III, “el Magno”, (900) e pela sua fama quando surgiram no caminho os costumes cortesãos do Renascimento.

Conta o notório Pero Rodrigues de Lena, ter presenciado “in situ” a disputa protagonizada por Don Suero Quiñones, que mais tarde entraria na literatura como “Paso Honroso”, constituía no desafio lançado por aquele guerreiro a todo aquele que com ele quisesse disputar a ponte.

Conta à história que no Ano Santo de 1434, Don Suero Quiñones declarou o seu amor a uma dama. Ele era um cavaleiro de León, rico, valoroso e de muitas virtudes, mas, a despeito disso, a dama o recusou. Para ele foi uma derrota difícil de ser aceita, chateado Don Suero mandou espalhar aos quatro ventos a notícia de que não iria permitir que nenhum cavaleiro peregrino passasse pela ponte sem que o mesmo participasse de uma justa contra ele, jurou quebrar trezentas lanças o que significava, derrotar trezentos cavaleiros.

Ponte de Órbigo

O espetáculo durou um mês inteiro, de 10 de julho a 9 de agosto, o Leonés derrotou cavalheiros franceses, italianos, alemães, portugueses e espanhóis, no fim do qual vencedor e vencidos de diversas nacionalidades, tornaram-se defensores dos peregrinos e juntos encaminharam-se para Compostela para darem graças ao Apóstolo e oferecer ao Santo uma gargantilha de ouro, que ainda pode ser vista no busto relicário de Santiago Alfeo, na capela das Relíquias da Catedral de Santiago, e que leva a seguinte inscrição:

“Si a vous ne playst avoyr mesura, certes ie di que ie suy sans ventura”.

Uma outra versão da história diz que Dom Suero de Quiñones com a autorização do rei Don Juan II de Castela, acompanhado com dez cavaleiros, postaram-se sobre a ponte para desafiar aqueles que por ela desejassem passar. Don Suero, apaixonado por uma dama e querendo mostrar seu valor e a força de seu amor, colocou um colar de ferro ao redor de seu pescoço, e afirmou ao rei antes de partir. “É justo e razoável que prisioneiros e pessoas privadas de seu livre poder desejem a liberdade. E, como sou seu vassalo e estou na prisão de uma senhora há longo tempo, em sinal da qual trago em meu pescoço este ferro, estabeleci como meu resgate trezentas lanças rompidas por mim e por estes cavaleiros”.

Lutaram durante trinta dias e derrotaram trezentos cavaleiros, obrigando a cada um deles a reconhecer a superioridade de sua amada. Cumprida a façanha, libertou-se enfim dos grilhões de ferro, e cavalgaram todos a Compostela. Chegando a Santiago, ofereceram ao Apóstolo um cinturão de ouro, que lá se encontra até hoje.

O episódio tornou-se tão famoso que é citado com admiração até por Don Quixote, na obra de Miguel de Cervantes.

Nota-se no dois relatos uma divergência quanto à oferta ao Apóstolo.

Máqui no seu livro “Guia do Peregrino do Caminho de Santiago”, relata o acontecimento de uma maneira poética, quando, em seu pensamento, relata através de uma ficção o oitavo combate do dia, entre Don Suero Quiñones e um outro cavaleiro desafiante.


OBS: Foto cedida por Delia Maia (www.caminhodesantiago.com)



 
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