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La Credencial: de salvo-conduto a objeto de coleccionismo

Antón Pombo

A velocidade de cruzeiro, chegou o XX Aniversario do I Congresso Internacional do Caminho de Santiago, que se celebrou em Jaca entre o 23 e 26 de Setembro de 1987, e tão determinante no movimento Jacobeo contemporâneo. Há duas décadas vistas estão à disposição de realizar um balanço sobre o que ali se propuseram colocar em marcha, que não foi pouco, na primeira análise de suas principais propostas. Conseqüentes com estes últimos fatos vamos a tratar algumas das questões que então foram planejadas que hoje necessitam de mudanças urgentes.

Em Jaca, a Associação de Palencia foi à encarregada de apresentar a ponência marco alusiva da Credencial do Peregrino. Trás a justificação histórica, se manifestava que a credencial do peregrino não pretendia eclipsar a tradicional carta de apresentação, se não converter-se em um objeto identificativo, homologado pelas associações, destinado a certificar a condição do peregrino e registrar a diário os lugares de passo para evitar a picaresca. Há um tempo se pretendia que a credencial funcionasse como um salva-conduto para aceder aos albergues, a certos descontos em outro tipo de alojamentos ou museus, e a outros benefícios que deveriam concretar no futuro.
O protótipo de credencial pretendia unificar os que então existiam, oferecia um desenho que não esta longe aos valores Cristiano (figuravam a bendiçáo do Veneranda Dies y uma oração ao Apóstolo), revivia a história através do desenho do Pantocrator e as etapas calixtinas, reconhecia o protagonismo das associações Jacobeas por meio de seus logotipos e contava, em todo momento, com o beneplácito da catedral de Santiago, que a reconheceria para obter a Compostela.
A ponência fazia em especial hincapé no protocolo para a entrega das credenciais, vindicando o protagonismo das associações e a opção universal do reparto, que até então se limitava quase e exclusiva aos pontos clássicos de partida. Trás aceitar a proposta, o Congresso aprovou em sua 7º conclusão a necessidade de unificar as credenciais até então existentes em um único modelo, que servisse como salva-conduto, autorgando as associações européias, e a igreja, a possibilidade de entregar-las, mas mantendo o “privilegio”, de Roncesvalles/Orrega e Jaca. Três anos depois, no Congresso de Estella/Lizarra foi planteado um projeto de Foro Peregrino que, conhecendo os abusos nos pirineos do uso das credenciais, que pretendia elevar o nível de exigência para a sua entrega, mas também os direitos derivados de seu uso. A posteriori, a Federação publicou uma circular com os conselhos para o uso da credencial. Nela se sinalava que devia ser entregada de modo gratuito trás receber por parte do peregrino uma carta de apresentação, que seria al menos necessário estampar um selo por jornada e que poderia ser retirada aos que “não se comportassem de modo adequado nos albergues e ao largo do Caminho”

Segue sendo válida a credencial para a peregrinação do século XXI ?
Acreditamos que sim,constitui um documento plenamente válido. Ainda que com a aparição de alguns albergues privados e alguns “hospitaleiros de vacaciones”, que preferem euros a credenciais, há quebrado o universal requisito de sua apresentação para ser acolhidos neste tipo de estabelecimentos,ainda são muitos os lugares que resulta imprescindível. Ademais, para o peregrino há chegado a converter-se em uma lembrança, sobre todo por registrar os selos de passo, mais apreciado que a própria Compostela. Mas a credencial não conseguiu evitar a picaresca, em parte porque muitos selos são colocados sem controle de datas, e ademais,ao ser somente exigível um selo ao dia, qualquer um pode completar as etapas em automóvel ou trem e beneficiar-se de seu uso. É por isso que a Xunta de Galícia, de acordo com a catedral, a partir de 2006 começou a solicitar um segundo selo de passo, em meio das etapas, aos peregrinos que queiram usar seus albergues.Redundando na mesma idéia, breve será também obrigatório que figure a hora; lamentável mas efetiva.
Outra pedra de escândalo está no pouco rigor aplicado na entrega das credenciais, que em algumas ocasiões são enviadas por correio a lotes ou vendido a preços abusivos, e outro tanto cabe dizer sobre a supervisão do seu bom uso. Excepcionais são os casos em que um hospitaleiro atreveu –se a anotar alguma opinião na credencial de um peregrino que tivesse encomprido as normas, e mais ainda aqueles em que procedeu com a retirada da credencial a um peregrino.
O que fazer, para melhorar nossa credencial ?

Em primeiro lugar , ao igual que a flecha amarela, deveria ser registrada, com todas as conseqüências, pela Federação. Também seria plausível que intentássemos voltar a unificar um modelo já não somente europeu, senão mundial, atentos a presente realidade da peregrinação. A Catedral de Santiago está chamada a ter um grande protagonismo se somente faz a entrega da Compostela aos receptores da nova credencial homologada. Vender a credencial, por respeito à tradição histórica, teria que estar proibido, e haveria que manter um mínimo de exigência em sua entrega, mas sem cair no inquisitorialismo, pois todos sabem que o peregrino não nasce, senão que se vá fraguando pela ruta.
 
Enviado por Acácio da Paz
 
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